domingo, 17 de agosto de 2008

Era uma vez...

Era uma vez uma criança que com apenas 1 ano de vida, já possuia grandes histórias. No seu primeiro aniversário recebeu vários presentes, um deles foi um livro de imagens. Cada olhar que a ela dava, era seguido por um sorriso. Mas o presente que ela mais gostou foi...

(Hugo Marcelo)
... aquele entregue por seu tio Inácio, um antropólogo de primatas recém-chegado da África equatorial após expedição de 4 anos, estudando o comportamento dos babuínos. Trouxe consigo algo bastante peculiar. . . Algo que sempre encantou as crianças. Aquele tipo de presente que faz a gente sentir saudades da infância. . .

(Diego Klautau)
... Um chocalho. Daqueles coloridos e cheios de penduricalhos. Um chocalho velho, cheio de marcas, quase cicatrizes. O tio Inácio não falou nada. Apenas olhou para a criança, e a amou. Amou como só um tio pode amar. Sabendo que era do seu sangue, que tinha traços seus. Às vezes, tio Inácio olhava a criança e lembrava do pai e da mãe. Nessas vezes, era como se a esperança nascesse naquele homem nem tão novo nem tão velho. A esperança de que as dores que ele mesmo sentia, as dores que a vida tinha marcado com as cicatrizes do chocalho, não chegassem naquele rosto tão infantil, tão familiar, tão parecido com ele mesmo...

(Hugo Marcelo)
Mas tio Inácio tem pressa. . . Ele sabe que o tempo é curto. Mas ainda há tempo para mais uma vez fitar aqueles olhos cheios de vida e esperança, mas agora seu sobrinho não pode dar atenção ao tio. Agora está ocupado demais compondo uma melodia desarmoniosa com o seu novo brinquedo. Seu tio se compadece da ingenuidade da criança, sua felicidade é o maior presente que poderia receber naquele fatídico dia. . . Mas o tio tem pressa, olha o relógio da parede, são 16:00 horas, em apenas 01 hora precisa estar na estação de trem. . . Tio Inácio tem pressa. . . Olha a criança e se afasta discretamente e a deixa com seu novo brinquedo. Tio Inácio adentra a carruajem que o aguardava. A imagem da criança ainda viva na sua memória resgatava a ternura daquele homem, nem novo e nem velho, mas endurecido pela vida. . . Neste momento uma pergunta brota do seu coração, uma pergunta que se fazia a anos, que o torturava, que amargurava sua alma. . .

(Elídia)
A pergunta lhe pesava nas entranhas do seu coração combalido, fustigava sem piedade suas recordações: ela virá desta vez, mesmo passados vinte anos? Paralela à cruel pergunta, ainda uma dúvida: se ela vier, terá ela coragem de olhar no último brilho encontrado em seus olhos cansados?

(Vitor)
Há um ano nascera essa criança e junto com ela uma nova vida para toda a família que a gerou, em especial para seu tio Inácio. Inácio recebeu o telegrama em meio aos babuínos que estudava na África e já se havia passado um mês de vida da criança, pois já se entrava em março de 1991. Aquela notícia fez com que ele sorrisse sozinho abraçando o papel animado. Ao reabrir os olhos, deparou-se com uma mãe babuína e seu bebezinho babuíno nos braços... Mamando... Algo mudou nos seus sentimentos, não se conteve e desatou a chorar até o sol terminar de se pôr na seca planície africana. Era como se finalmente algo regasse aquele sertão, lágrimas, uma vida de criança, uma mudança desejada, uma declaração para si mesmo, sua emoção dizendo que em seu corpo ainda batia um coração, sua emoção, apesar de tudo, sobrevivera. Um misto de sentimentos que o remeteu a um passado que muito lutou para esquecer e superar e havia consigo, mas nunca mais também chorara como acontecia agora, nunca mais “sentia” como acontecia agora. Alguma porta se reabrira com aquela notícia.
Os mosquitos começavam a aparecer e ele fechou a porta do trailer que levava o logo da National Geographic. Bebeu um pouco d'água e só aí que olhando para o papel reparou numa ponta dobrada no final do texto. Achou aquilo estranho e improvável. Desdobrou e viu que quem assinara a notícia do filho de sua irmã era Cassilda. Ficou atordoado, não era possível! Como ela sabia onde ele estava? Que ligação mantinha com a família? Aquilo não fazia sentido. Mas, de repente, ouviu uma pancada na lateral do trailer que balançou e fez sua adrenalina disparar ainda mais e o coração lhe saltar a boca. Era...



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4 comentários:

Hugo Marcelo disse...

aquele entregue por seu tio Inácio, um antropólogo de primatas recém-chegado da África equatorial após expedição de 4 anos, estudando o comportamento dos babuínos. Trouxe consigo algo bastante peculiar. . .
Algo que sempre encantou as crianças. Aquele tipo de presente que faz a gente sentir saudades da infância. . .

Carlos Eduardo Xavier disse...

Um chocalho. Daqueles coloridos e cheios de penduricalhos. Um chocalho velho, cheio de marcas, quase cicatrizes. O tio Inácio não falou nada. Apenas olhou para a criança, e a amou. Amou como só um tio pode amar. Sabendo que era do seu sangue, que tinha traços seus. Às vezes, tio Inácio olhava a criança e lembrava do pai e da mãe. Nessas vezes, era como se a esperança nascesse naquele homem nem tão novo nem tão velho. A esperança de que as dores que ele mesmo sentia, as dores que a vida tinha marcado com as cicatrizes do chocalho, não chegassem naquele rosto tão infanti, tão familiar, tão parecido com ele mesmo...

Unknown disse...

A pergunta lhe pesava nas entranhas do seu coração combalido, fustigava sem piedade suas recordações: ela virá desta vez, mesmo passados vinte anos? Paralela à cruel pergunta, ainda uma dúvida: se ela vier, terá ela coragem de olhar no último brilho encontrado em seus olhos cansados?

Vitor Bustamante disse...

Há um ano nascera essa criança e junto com ela uma nova vida para toda a família que a gerou, em especial para seu tio Inácio. Inácio recebeu o telegrama em meio aos babuínos que estudava na África e já se havia passado um mês de vida da criança, pois já se entrava em março de 1991. Aquela notícia fez com que ele sorrisse sozinho abraçando o papel animado. Ao reabrir os olhos, deparou-se com uma mãe babuína e seu bebezinho babuíno nos braços... Mamando... Algo mudou nos seus sentimentos, não se conteve e desatou a chorar até o sol terminar de se pôr na seca planície africana. Era como se finalmente algo regasse aquele sertão, lágrimas, uma vida de criança, uma mudança desejada, uma declaração para si mesmo, sua emoção dizendo que em seu corpo ainda batia um coração, sua emoção, apesar de tudo, sobrevivera. Um misto de sentimentos que o remeteu a um passado que muito lutou para esquecer e superar e havia consigo, mas nunca mais também chorara como acontecia agora, nuca mais “sentia” como acontecia agora. Alguma porta se reabrira com aquela notícia.

Os mosquitos começavam a aparecer e ele fechou a porta do trailer que levava o logo da National Geographic. Bebeu um pouco d'água e só aí que olhando para o papel reparou numa ponta dobrada no final do texto. Achou aquilo estranho e improvável. Desdobrou e viu que quem assinara a notícia do filho de sua irmã era Cassilda. Ficou atordoado, não era possível! Como ela sabia onde ele estava? Que ligação mantinha com a família? Aquilo não fazia sentido. Mas, de repente, ouviu uma pancada na lateral do trailer que balançou e fez sua adrenalina disparar ainda mais e o coração lhe saltar a boca. Era...

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